Início / Perícia Técnica / Artigo
Como funciona a perícia de código-fonte: método, ferramentas e o que o juízo precisa saber
A perícia de código-fonte é o exame técnico que o juízo determina (ou que as partes contratam) quando há disputa sobre quem escreveu o software, se houve cópia, ou se o código entregue cumpre o contrato. Apesar de parecer algo de filme — "hackers analisando telas verdes" —, na prática é um processo metódico, reproduzível e auditável.
Passo 1: aquisição forense
Antes de olhar uma linha sequer de código, o assistente técnico faz a aquisição forense: cópia bit a bit dos repositórios, servidores e discos relevantes, com geração de hash (SHA-256) para garantir que o material não foi alterado depois da coleta. Esse processo segue os princípios da ISO/IEC 27037 e estabelece a cadeia de custódia — sem ela, a parte contrária pode questionar se a prova é íntegra.
Passo 2: análise comparativa
Com o material preservado, começa a análise. O assistente técnico compara os dois códigos (ou o código versus o contrato) examinando:
- Estrutura de diretórios, pacotes e módulos;
- Nomes de variáveis, funções, classes e tabelas;
- Lógica de implementação (fluxos, algoritmos, decisões);
- Comentários, strings e mensagens de erro;
- Metadados de versionamento (Git log, SVN history);
- Dependências e configurações.
Passo 3: conclusão fundamentada
O resultado não é "sim, houve plágio" ou "não, é original". É um laudo fundamentado que apresenta as similaridades encontradas, distingue as triviais (padrões de mercado, código de framework) das significativas (lógica proprietária reproduzida), e conclui pelo cenário mais provável: cópia, obra derivada ou criação independente. A conclusão segue a prova.
Aplicação prática
Esse tema aparece em uma decisão, contrato ou litígio real?
Uma análise técnica bem estruturada separa hipótese, evidência e conclusão — e ajuda a decidir o próximo passo sem transformar complexidade em ruído.